A Confissão que Vira Método: quando a Igreja fala como o mundo governa
Diário de um Católico na Contrarrevolução — Parte 37
Quando a palavra trai a missão
Há um momento em que o discurso deixa de ser retórico e
passa a ser revelador. Não por acidente, mas por excesso de sinceridade. Foi
assim na política continental, quando líderes confessaram agir fora das
instituições em nome de uma causa maior. E é assim, tristemente, em certos
setores da Igreja, quando pastores e teólogos falam demais — e acabam dizendo
exatamente o que pensam da Tradição: que ela é um obstáculo.
O texto que analisamos antes não é apenas político. Ele é um
espelho. Mostra como redes informais, lealdades ideológicas e discursos
ambíguos corroem instituições por dentro, sempre com a desculpa de “mediação”,
“diálogo” e “processos históricos”. Troque Foro por pastoral, militância por
engajamento e revolução por “opção preferencial”, e o método é o mesmo. O diabo
não cria, copia. E moderniza.
Mesmo método, outra linguagem
O modernismo na Igreja nunca se apresentou como ruptura
frontal. Ele veio como “atualização”, “escuta do mundo”, “novo paradigma”.
Assim como o Foro se dizia apenas um espaço de debates, a Teologia da
Libertação se apresentou como leitura pastoral da realidade. Nunca como dogma
alternativo — mas sempre como prática eficaz.
O truque é antigo:
- agir
fora da estrutura visível,
- falar
em nome de “processos”, não de verdades,
- substituir
a autoridade pelo consenso,
- trocar
a fé recebida pela experiência vivida.
São Pio X já tinha visto tudo isso antes de virar moda. Em Pascendi,
ele desmonta o modernismo peça por peça e o chama pelo nome: síntese de
todas as heresias. Não porque grita, mas porque infiltra. Não porque nega
Cristo abertamente, mas porque o redefine até que não sobre nada além de um
símbolo útil.
Exemplos concretos — quando a pastoral vira partido
Na América Latina, a coisa ficou escancarada. Comunidades
eclesiais de base funcionando como células políticas. Liturgias esvaziadas do
sacrifício e cheias de slogans. Cristologia reduzida a militância. O altar
virou palanque; o pobre, instrumento; e o céu, metáfora.
Enquanto isso, a Missa Tridentina — coração pulsante da fé
de séculos — foi tratada como problema. Silêncio, latim, reverência? “Coisa do
passado”, dizem. Curioso: o passado é sempre o vilão quando não pode ser
manipulado.
Mas a história não perdoa. Assim como discursos políticos
voltam como provas, documentos e práticas pastorais voltam como juízo. O
que foi ensinado fora do Magistério, em nome do povo, será cobrado. A Igreja
não é ONG, nem partido, nem laboratório social. É Corpo Místico de Cristo. E
Corpo não vive sem cabeça.
Concluindo: a esperança que não se negocia
Aqui entra a nossa esperança — e ela é concreta. Não está em
estratégias, mas na fidelidade. A Tradição não precisa se defender: ela
sobrevive. Os santos não negociaram a verdade; por isso permanecem. A Missa de
sempre continua formando almas enquanto modismos envelhecem mal.
Vivemos um tempo em que confissões involuntárias se
acumulam. Padres, bispos e teólogos dizem, sem perceber, que já não creem como
a Igreja sempre creu. E isso, paradoxalmente, ajuda. A luz expõe. O tempo
filtra.
Ser católico na contrarrevolução é isso: permanecer
quando tudo conspira pela adaptação. É amar a Igreja o bastante para não
aceitá-la diluída. É rezar com os pés fincados na história e os olhos no Céu.
O método do mundo já conhecemos.
O da Igreja é outro: cruz, sacrifício, fidelidade.
E esse, meu amigo, nunca falhou.
Por um Católico consciente e atento ao cenário eclesial
do Brasil e do Mundo.