Quando a Porta se fecha, o Caminho continua

O som da Porta Santa se fechando sempre impressiona. Não pelo barulho — quase solene demais para ser ruído —, mas pelo que ele desperta por dentro. Dá aquela sensação humana de “acabou”. Tempo encerrado. Página virada. Como se a graça tivesse prazo de validade, igual promoção de supermercado.

Mas não é assim. Nunca foi.

O Ano Jubilar Peregrinos de Esperança chega ao fim no calendário, mas a Igreja, velha mestra da paciência, nos lembra com um sorriso discreto: Deus não trabalha por agenda. A Porta se fecha, sim. O muro continua sendo muro. Mas a graça… ah, a graça não sabe obedecer fechaduras.

O Jubileu foi um grande chamado ao essencial. Confissão sem teatro. Comunhão com fome de eternidade. Caridade que custa, penitência que dói um pouco, esperança que não depende de cenário favorável. Nada de extraordinário — justamente por isso, tudo profundamente sobrenatural. O caminho de sempre. O caminho dos santos. O caminho seguro.

A indulgência continua possível. A misericórdia continua disponível. O confessionário segue aberto. O altar continua sendo céu tocando a terra. Quem achou que o Jubileu era exceção, perdeu o ponto. O Jubileu foi lembrete.

Porque, no fundo, a vida cristã sempre foi jubilar. Sempre foi peregrinação. Sempre foi atravessar portas invisíveis: do pecado para a graça, da tibieza para o fervor, do medo para a esperança. E isso não depende de rito solene, mas de coração convertido.

Somos peregrinos. Não turistas espirituais. Peregrino não pergunta se a porta está aberta — ele caminha. Às vezes com poeira nos pés, às vezes com lágrimas nos olhos, quase sempre com esperança teimosa no peito. Esperança que não grita, mas permanece.

O Ano Jubilar termina. A Igreja continua. A graça continua. Deus continua.

E nós seguimos. Um passo depois do outro.

Porque quem aprendeu a esperar em Deus, nunca ficou sem caminho.

Por seu irmão Carmelita Secular da Antiga Observância B.