Piedoso trânsito (morte) de São João da Cruz, Presbítero de nossa Ordem e Doutor da Igreja


“NO ENTARDECER DA VIDA SEREMOS JULGADOS PELO O AMOR.” (São João da Cruz)

Não cessaram, porém, as perseguições e João da Cruz teria ainda de enfrentar graves dificuldades. Em outubro de 1582, festa de São Francisco de Assis, viu-se privado de seu maior apoio. Morria Teresa de Jesus, deixando uma obra consolidada em dezessete casas femininas e quinze masculinas. O desafio de continuar sozinho o grande projeto de sua mãe espiritual fá-lo-ia deparar com obstáculos “tão numerosos e tão terríveis, que não podemos deixar de ver neles a mão da Providência, carinhosamente empenhada em dar ao santo, pelo sofrimento, os últimos arremates”.

Receberia a coroa da humildade em junho de 1591, quando o Capítulo de Madrid o despojou de todas as dignidades, deixando-o, pois, sem cargo nenhum na Ordem. Difamado por confrades e fustigado até pelos superiores, João da Cruz é mandado à força para o distante convento de La Peñuela. Fica ali, ao que parece, por volta de dois meses. Ia partir em missão para o México, mas acabou por cair gravemente enfermo devido a uma inflamação na perna. A febre agarrou-se-lhe ao corpo sem mais deixá-lo.

Tomado pelos abcessos de uma presumível erisipela, teve enfim de ser transportado para Úbeda, uma antiga praça-forte moura flagelada pelos ventos dos planaltos. Sua fama de santo, por essa época, já o precedia; por isso, foi recebido com grande carinho e desvelo pelos irmãos da última comunidade de que faria parte. Estes últimos dias, como ele mesmo pedira ao Senhor, foram marcados por intensas dores e sofrimentos. Eram as cruzes derradeiras que Cristo lhe havia preparado.

Num sábado, dia de Nossa Senhora, pressentiu que chegara ao fim: à meia-noite na passagem do dia 13 para o dia 14 de dezembro de 1591, assim lho revelara Deus, iria ele adormecer para a morte desta vida e acordar para a glória da futura. Passou o dia de Santa Luzia (13 de dezembro) em completa agonia, perguntando a hora aos frades.

Chegada à noite, quiseram-lhe fazer a oração dos agonizantes; frei João, porém, quis lhe recitassem o Cântico dos Cânticos, o poema do amor de Deus pelos justos, pelas almas, pela Igreja. Aos badalos da meia-noite, expirou na paz do Senhor, já sem dar pelas úlceras que lhe crivavam o corpo. “Irei cantar Matinas no Céu” foram as últimas palavras desta grande alma, cujo consolo esteve na dor, cuja alegria esteve em sofrer o que falta às tribulações de Cristo (cf. Col 1, 24), cujo coração sempre esteve certo de que “os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rm 8, 18). Com a idade de 49 anos “foi cantar matinas no céu”. Indo encontrar o Amado. Dia de luz que o levou à glória celeste.

Oração: Ó Deus, que inspirastes ao Presbítero São João da Cruz, extraordinário amor pelo Cristo e total desapego de si mesmo, fazei que, imitando sempre o seu exemplo, cheguemos à contemplação da vossa glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Para nós da Ordem do Carmo, festejamos São João da Cruz no dia 14 de dezembro. Saiba mais sobre sua biografia, aqui.