Entre o Verde e o Véu: A Era dos Papas de Comunicação
Diário de um Católico na Contrarrevolução — Parte 30
Há seis meses o mundo assiste, curioso e distraído, à
coroação de uma nova religião — não proclamada, mas insinuada — onde o altar
foi trocado pelo palco e o incenso pelo marketing. É a fé das manchetes, o
evangelho do carbono, o credo do consenso. A Igreja, que outrora moldava
civilizações e coroava santos, hoje se curva diante das conferências da ONU
como se fossem concílios ecumênicos.
Os pregadores de outrora falavam de inferno, graça e juízo;
agora falam de “emissões”, “resiliência” e “multilateralismo”. O pecado foi
reciclado em pegada de carbono, e a penitência virou reciclagem seletiva. No
púlpito, o profeta não mais denuncia a Babilônia — ele pede financiamento
internacional para ela.
A Nova Moral dos Climas e das Conferências
Cardeais de terno ecológico discursam como técnicos da
COP30, e cada documento da Cúria cheira a comitê. Há uma estranha inversão: o
mesmo clero que silencia sobre a salvação das almas fala com fervor de salvar o
planeta. E o faz em nome de um novo humanismo verde, onde a culpa não é mais
pessoal, mas coletiva — difusa como o smog urbano.
Mas onde estão os santos de outrora? Onde está o fogo de
Catarina, o zelo de Domingos, o amor sobrenatural que movia missionários a
cruzar oceanos por uma só alma? Foram substituídos por gestores de causas, por
embaixadores de “fraternidade global”, por padres de slogans e PowerPoints.
Quando o Evangelho é dissolvido em causas sociopolíticas,
ele perde sua chama e se torna protocolo. E é isso que o católico fiel sente no
peito: a chama se esconde, mas não morre.
O Escândalo do Migrante e o Silêncio do Clero
Não é mais segredo que a retórica “humanitária” tem servido
de biombo para os mesmos vícios que ela denúncia. O caso do padre Exelmans,
pregador da acolhida e apóstolo da tolerância, expôs o que muitos já sabiam: o
progressismo moral é o disfarce perfeito para o pecado não confessado. A Igreja
que proclama o “direito à mobilidade” parece ter esquecido o direito da
verdade.
Enquanto padres e bispos se fotografam com refugiados,
quantos desses pequenos sofrem nas sombras da caridade institucional? Quando a
virtude vira campanha, a graça se torna estatística.
Do Peru a Roma: As Sombras de Chiclayo
Mesmo o trono de Pedro, outrora guardião das chaves, agora
parece um balcão de assessoria de imagem. As denúncias vindas do Peru contra o
então bispo Robert Prevost, hoje Leão XIV, mostram o que acontece quando o zelo
pastoral cede ao cálculo político. Documentos omitidos, vítimas esquecidas, e o
que se chama de “misericórdia” torna-se, na prática, cumplicidade.
Os fiéis não pedem perfeição, pedem justiça. E quando até o
Vigário de Cristo parece preso ao medo de parecer “duro”, é sinal de que a
piedade foi domesticada pelo politicamente correto.
O Papa das Duas Faces
Leão XIV é o retrato perfeito do novo papado: um pontífice
de duplo rosto — um virado à Tradição estética, outro voltado ao modernismo
ideológico. A esquerda o aplaude pelas causas sociais; a direita o desculpa
pelo latim e pelas rendas. Ambos saem satisfeitos, e ninguém nota que a
substância da fé continua sendo diluída.
A Igreja, hoje, parece reconciliar o incensário com o
microfone, o altar com a coletiva de imprensa. A Missa Tridentina pode ser
tolerada — desde que não conteste o evangelho climático.
Mas o católico que vive da Missa de Sempre, que conhece o
silêncio da adoração e o latim da eternidade, sabe distinguir o ouro do verniz.
Ele vê que o brilho de Roma não é mais o reflexo da santidade, mas o reflexo
das câmeras.
O Evangelho das Máquinas
Nada ilustra melhor o espírito desta era do que a bênção
dada à inteligência artificial. Chama-se “participação no ato criador de Deus”.
Que ironia amarga: enquanto o homem abdica de criar filhos, cria algoritmos. E
o Vaticano, em vez de lembrar que só Deus dá vida, aplaude o novo ídolo de
silício.
A fé moderna quer transformar o Criador em coach e o
Evangelho em código ético para startups. A “ética” substitui a graça; o
“diálogo” substitui a conversão. E, assim, a serpente reaparece — polida,
digital, e com excelente assessoria de imprensa.
Fermento ou Fermentação?
Leão XIV diz que o Evangelho é “fermento nas culturas”.
Bonito — mas fermento sem forno vira bolor. A Igreja dos Apóstolos era fermento
porque transformava. Hoje, é fermentada porque se adapta. O pão da vida virou
pão da coexistência — integral, sustentável, sem dogmas.
A Missa de Sempre, porém, resiste. Ela é o pão verdadeiro,
amassado na cruz, erguido no sacrifício, oferecido por amor. Enquanto houver um
altar voltado para Deus e um sacerdote de joelhos, a Igreja ainda respira.
Conclusão: Entre o Ruído e a Rocha
Vivemos o tempo das distrações sagradas: cada escândalo é
respondido com um simpósio, cada crise com um documento, cada pecado com uma
hashtag. O mundo aplaude, os fiéis se confundem, e os lobos pastam entre as
ovelhas.
Mas há um resto fiel — pequeno, silencioso, perseverante.
São os católicos da contrarrevolução: aqueles que rezam o Rosário quando o
mundo ri, que jejuam enquanto Roma fala demais, que preferem o latim
incompreendido ao aplauso efêmero.
A fumaça entrou no templo, sim — mas o Espírito ainda sopra.
O modernismo pode deformar, nunca destruir. Porque, sob o véu de aparências, há
uma rocha que não cede. E sobre ela — e só sobre ela — Cristo ainda edifica a
Sua Igreja.
Por um Católico consciente e atento ao cenário eclesial
do Brasil e do Mundo.