A Sistina como Útero do Juízo: O Conclave e o Deus que Se Oculta

A Sistina como Útero do Juízo: O Conclave e o Deus que Se Oculta

— A Sistina Respira Fumaça e Eternidade

Lá está ela, a Capela Sistina. Pedras antigas, cores eternas, juízo à vista. Não há eco mais forte do que o silêncio que paira entre seus afrescos. E entre os mármores e as colunas, não são só os cardeais que se agitam — o próprio Céu inclina a cabeça, atento.

Os homens de vermelho entram, mas não como príncipes. Entram como réus. Sentam-se sob o Juízo Final de Michelangelo, e aquela pintura não está ali pra decorar — está ali pra acusar. O Cristo no alto não sorri. Ele julga. Mãos erguidas, olhos como brasas. E todo voto lançado ali embaixo é pesado em balança de fogo.

Não se trata apenas de eleger um Papa. Trata-se de não trair a Esposa do Cordeiro. Trata-se de escolher alguém que tenha os ombros largos o suficiente para carregar as Chaves do Reino e os joelhos calejados o suficiente para não esquecer de rezar.

Quantos conclaves já foram celebrados como se fossem jogos de xadrez, com alianças, manobras, geopolítica e vaidade? Mas o tempo da farsa está acabando. A fumaça branca precisa sair de corações negros purificados. Porque — e aqui São João Paulo II grita das paredes com suas palavras de fogo — não há política no Reino dos Céus. Há só verdade, Cruz e Amor até o fim.

Este conclave, como todos, é um microjuízo. Um ensaio geral do último dia. Um lembrete: Cristo virá. E quando vier, não perguntará quem venceu, mas quem foi fiel.

Sim, a Sistina respira. Mas o que ela exala não é só fumaça — é escatologia. Cada chaminé que solta fumaça aponta para o alto e sussurra: Maranatha. Vem, Senhor Jesus.

 Por seu Irmão Carmelita Secular da Antiga Observância B.