Quando mandam comer, mas esquecem Quem está no Altar
Diário de um Católico na Contrarrevolução – Parte 59
Tem dias em que a gente escuta certas coisas e pensa: “ou eu
entendi errado… ou o mundo virou de cabeça pra baixo — inclusive dentro da
Igreja”.
Quinta-feira Santa. A noite mais densa, mais sagrada, mais
carregada de silêncio e mistério de todo o ano litúrgico. A noite em que Nosso
Senhor instituiu a Eucaristia. A noite em que o Céu tocou o chão — e ficou.
Pronto. Está armado o campo de batalha.
O ponto de partida: verdade dita pela metade
Sim, Cristo disse: “Tomai e comei… Tomai e bebei.”
Mas aqui entra o detalhe que muda tudo — e que,
curiosamente, foi deixado de lado:
Quem é esse que se dá em alimento?
Porque ninguém “come Deus” sem antes dobrar o joelho.
O truque do discurso moderno
O argumento apresentado é simples — e perigoso:
“Transformaram a Eucaristia em algo distante, só para
adorar.”
Essa frase tem cara de piedade, mas carrega um veneno sutil.
Porque cria uma falsa oposição:
- ou você comunga
- ou você adora
Só que isso nunca existiu na Tradição da Igreja.
É tipo dizer:
“Respirar é mais importante que o coração.”
Não faz sentido. Um depende do outro.
A Igreja sempre ensinou:
E por isso mesmo: A Eucaristia é digna de adoração
A ironia que fala alto
Agora vem a parte que parece roteiro de filme:
Ou seja:
Como quem diz:
“Não precisa ajoelhar… mas vamos ajoelhar aqui rapidinho
porque a liturgia manda.”
Fica estranho. Fica vazio. Fica… moderno demais.
O ataque ao temor de Deus
Outro ponto levantado foi a crítica aos fiéis que evitam
comungar por se acharem indignos.
Aqui a coisa fica séria.
Hoje, a lógica virou:
- “Todo
mundo comunga”
- “Deus
entende”
- “Ninguém
é digno mesmo”
Só que São Paulo já tinha dado o aviso — claro, direto, sem
açúcar:
Quem come indignamente… se condena.
A Tradição sempre ensinou equilíbrio:
Mas o que vemos hoje?
Algo não fecha.
Quando o sagrado vira comum demais
O problema não é incentivar a comunhão.
O problema é transformar o Mistério em algo comum.
Porque quando tudo é normal, nada mais é sagrado.
E aí nasce essa mentalidade:
- Adoração
virou “exagero”
- Reverência
virou “medo”
- Silêncio
virou “distância”
E o resultado?
É a fé perdendo o senso do sagrado — gota por gota.
A resposta da Tradição (silenciosa, firme e viva)
Enquanto discursos vão e vêm, a Tradição permanece.
Na Missa antiga, isso fica gritante sem ninguém precisar
explicar:
- o
silêncio fala
- o
sacerdote não é o centro
- o
altar não é palco
- Deus
é Deus
Ali não tem dúvida: Antes de comungar, você já entendeu que
está diante do Santo dos Santos.
E aí a comunhão deixa de ser um gesto automático e vira um
encontro tremendo.
Conclusão: comer sem adorar é perder o essencial
No fim das contas, a pergunta é simples:
Se você realmente
acredita que é Cristo ali… como não adorar?
Negar a adoração não aproxima o fiel da Eucaristia.
Faz o contrário.
E o que sobra?
Mas nem tudo está perdido.
Gente que entende que:
Por um Católico consciente e atento ao cenário eclesial do Brasil e do Mundo.