Bispo do Marajó critica adoração eucarística e gera repercussão entre fiéis

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, S.D.V., durante a homilia da Missa da Ceia do Senhor, celebrada na Quinta-feira Santa, na Paróquia Menino Deus, em Soure (PA). | Crédito: Imagem extraída do YouTube da PASCOM Soure (PA).

O bispo da prelazia do Marajó, Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, afirmou durante homilia na Missa da Ceia do Senhor, celebrada na Quinta-feira Santa, que a Eucaristia “foi instituída não para adorar, mas para comer e beber”.

A celebração ocorreu na Paróquia Menino Deus, em Soure, no estado do Pará.

Durante a homilia, o bispo destacou que Jesus, na Última Ceia, disse “tomai e comei” e “tomai e bebei”, argumentando que não houve um convite explícito à adoração. Ele também criticou práticas como a adoração ao Santíssimo Sacramento, inclusive transmissões pela televisão e internet.

Dom Ionilton mencionou ainda um artigo intitulado “Roubaram a Eucaristia”, afirmando que, segundo o texto, o sentido original do sacramento teria sido reduzido à adoração, em detrimento da comunhão.

Apesar das críticas, ao final da celebração o próprio bispo realizou a exposição do Santíssimo Sacramento e o traslado, conforme previsto na liturgia da Quinta-feira Santa.

Declarações sobre a comunhão

Na mesma homilia, o bispo afirmou que os fiéis não devem ter medo de receber a Eucaristia, criticando a ideia de que apenas pessoas “dignas” poderiam comungar.

Segundo ele, a indignidade estaria ligada principalmente à falta de amor e serviço ao próximo, e não simplesmente à condição de pecador.

Em outra ocasião, durante missa em Bagre, o bispo também questionou a expressão “aqueles que estão preparados para receber Jesus”, afirmando que ninguém estaria plenamente preparado.

Repercussão

As declarações geraram repercussão entre fiéis da prelazia. Um católico local, que preferiu não se identificar, afirmou que houve “confusão” entre os participantes, especialmente por considerar que as falas relativizam práticas tradicionais da fé.

Segundo ele, existe preocupação com a clareza doutrinária e com a unidade da Igreja. O fiel relatou ainda ter enviado uma carta ao núncio apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, manifestando apreensão quanto à preservação da tradição e do ensinamento católico.

Com informações da Nathália Queiroz, da ACI Digital.