O escapulário de Nossa Senhora do Carmo, o manto de Elias e os inimigos da serpente



Ao reconhecermos que não há coincidência nas relações entre Elias e Eliseu, devemos também admitir que não existe entre Elias e Nossa Senhora. Na infinita sabedoria, providência e bondade do Deus verdadeiro estava – por assim dizer – planejado que Maria deveria ser a portadora daquele espírito de Elias, representado pelo manto. Sim, justamente a raiz da palavra escapulário, nos mostra mais uma “coincidência”: “Scapulae”, do latim, “ombros”, significando o manto que cobre e protege a pessoa que o porta por cima dos ombros.
Outro paralelo inegável entre a Mãe de Deus e o tesbita Elias se dá no Monte Carmelo. Neste local, enquanto Elias mostrou a justiça de Deus pelo fogo, Maria mostrou a misericórdia pelo manto bendito, quando o entregou a São Simão Stock no dia 16 de julho de 1251.
Por fim, outra relação indiscutível posta por Deus entre a Virgem Santíssima do Carmelo e o Profeta de fogo é a inimizade inflexível e total de ambos contra toda forma de mal; esta é, evidentemente, a maior e mais importante das relações. Sobre esta luta, disse o próprio Deus à serpente: “Porei inimizades entre ti e a mulher; entre a tua descendência e a que dela nascerá. Esta te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3, 15).
Ora, o que fez Elias senão combater a raça da serpente? E o que faz eternamente Maria Santíssima senão esmagar a cabeça desta soberba?
Promessa de salvação
Para concluir, é necessário que nos ponhamos de frente com a realidade do século em que vivemos. Que proveito nos pode trazer a história de Elias e de Nossa Senhora do Carmo? Será que Deus não tem mais um povo eleito? E que o trate com extremos de bondade, repleto de inúmeras promissões e auxílio?
Mas, ao mesmo tempo, quantos ídolos este povo já fabricou para si…! Não é verdade que existem hoje incontáveis outras formas de adoração a “deuses estrangeiros”?
Será que, neste contexto, para salvar o seu povo, Deus não fará surgir um profeta? Ademais, foi o próprio Redentor que afirmou: “Elias, de fato, deve voltar e restabelecer todas as coisas” (Mt 17, 11). Onde estará este Elias? Não virá ele revestido do manto e do espírito da Santíssima Virgem?
Queira Deus que, tal como Eliseu, este Elias nos dê a dupla porção de seu espírito, o amparo e a força na luta contra a raça da serpente: “Vou mandar-vos o profeta Elias, antes que venha o grande e temível dia do Senhor” (Ml 3, 23).
Estaremos, sem dúvida, entre estes protegidos de Elias, se hoje soubermos lutar contra as manobras e investidas dos “profetas de Baal”, rejeitando toda forma de idolatria.
Por Cícero Leite