Na fila da Confissão

Enquanto esperava a minha vez de me confessar, comecei a pensar em como na fila de confissão somos todos iguais.
Que engraçado, eu pensava; quando vemos uma pessoa não temos como imaginar o mundo interior que ela carrega. Assim como ninguém é capaz de perscrutar o que compõe o nosso interior.
Caminhamos pelo mundo e quem nós somos permanece uma parte de mistério, ainda que parcialmente revelado aos que amamos. Mas na confissão somos o que somos.
Na fila de espera, a pessoa que rezava o terço podia estar há dias sem rezar ou podia estar rezando seu segundo terço do dia. Quem chegou chorando poderia ter cometido um grande pecado ou ter sofrido uma grande injúria. Quem mexia no celular poderia não ter vida espiritual concreta ou apenas estar resolvendo algo urgente.
Eu pensava em como a aparência de bem de uma pessoa não significa necessariamente uma bondade interior. E tantas pessoas que passam despercebidas podem esconder tesouros interiores impensáveis.
Não há como saber, a não ser que você pergunte e o outro te conte. As nossas percepções são costumeiramente superficiais e, por isso, enganosas. As nossas suspeitas as vezes ficam até mesmo nubladas ante o brilho do outro. Seja como for, o importante é que cada um sabe dentro de si onde estão os buraquinhos do seu barco furado.
Pessoas tão distintas, aleatórias, por motivos tão diversos se reúnem na fila de confissão. Afinal, neste lugar embora sejamos tão diferentes, somos todos iguais. Somos filhos necessitados da misericórdia do Pai.
Escrito por Rayhanne Zago
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Reflexões