Carmelita Mártir: Frei Tito um homem afetivo


Nada está mais longe de nosso Padre Tito do que essa frieza ou distanciamento que algumas vezes distingue pessoas importantes. Como bem frisamos, era um homem sincero, acostumado a mostrar tanto seus sentimentos quanto suas opiniões (o que, em certa ocasião, causou-lhe alguns problemas).

Aqueles que o conheceram normalmente comentam que eram famosos os seus "apertos de mãos", bem como sua risada franca e honesta. Com certeza não participava da ideia de que é mais sagrado esconder sentimentos e afetos das pessoas. Não crê nesse medo à afetividade, que muitas vezes não é senão uma justificativa teórica que esconde um egoísmo aberrante. Ele não o tem em nenhum dos níveis ou áreas em que ele se mudou: na família, na educação, no mundo do jornalismo, na comunidade religiosa. Não era o religioso que suporta seus irmãos com domínio sobre si, buscando uma santificação um pouco farisaica, mas o homem bom que se aproxima de seus irmãos e com eles enfrenta os problemas, alegrias, tensões, etc. Nesse sentido, a história que nos fala - entre muitas outras - o Padre Bertoldo Lurvink, que, sendo muito jovem, encontrou-se com o Padre Tito em Nijmegen, no dia de seu aniversário, Tito colocou por debaixo de sua porta uma calorosa felicitação e uma desculpa por não ter podido estar ali para festejar junto com a comunidade, devido aos trabalhos da Universidade.

Especialmente cativante são os muitos exemplos nos vários meses que ele passou em várias prisões e campos de concentração, até terminar em Dachau. Mas, sem dúvida, o mais impressionante é o de Tízia, a enfermeira que o "atendeu" e injetou nele o ácido que acabaria com sua vida. Foi para essa moça - acostumada a terminar diariamente com várias vidas - que ele deu seu último presente, aquele rosário de madeira que por sua vez lhe dera um prisioneiro de Amersfoort, porque ele havia se esquecido do seu no convento na pressa da partida após a prisão. O breve diálogo que o moribundo Tito tem com Tízia a deixou profundamente comovida. É arrepiante ler o testemunho daquela mulher, capturado em plena juventude pelo Nacional-Socialismo. É o confronto, sempre apaixonado, entre a "ideologia" (arrogante, segura, sólida) e o ser humano, que tende à liberdade e ao amor, e não se confunde em nenhum esquema."

Oração pela Canonização

Deus da paz e da justiça,
Vós que abre nossos corações para o amor
e para a alegria do Evangelho
mesmo em meio às inúmeras formas de violência
que pisoteiam a dignidade de nossos irmãos e irmãs,
ajuda-nos com a tua graça,
para que, como São Tito Brandsma,
podemos com compaixão, ver além dos horrores da injustiça,
e contemple sua glória que brilha através dos mártires
de todos os tempos e, assim, ser vossas autênticas testemunhas no mundo de hoje.
Amém.

Continua no próximo artigo, nos acompanhe nessa jornada preparando-nos para a Canonização do Beato Tito Brandsma 

Texto: Frei Fernando Millán Romeral, OCarm. Tradução: Ir. José Michael Alves, OTCarm