Amar é fazer o vazio dentro de si para acolher Jesus!

«Portanto, estes aproveitados ainda têm um tratamento e uma relação com Deus muito terrenos e naturais.
Como não têm ainda o ouro do espírito purificado e ilustrado, conhecem a Deus como crianças, falam de Deus como crianças,
sabem e sentem a Deus como crianças, como diz São Paulo.
Ainda não atingiram a perfeição, isto é, a união da alma com Deus, pela qual, já crescidos, operam maravilhas no seu espírito,
sendo as suas obras mais divinas do que humanas, como se dirá mais à frente.
Deus, querendo despi-los verdadeiramente deste homem velho e revesti-los do novo,
que não cessa de ser renovado à imagem do seu Criador, como diz o Apóstolo, desnuda-lhes as potências, afetos e sentidos,
quer espirituais quer sensitivos, quer exteriores quer interiores, deixando o entendimento às escuras, a vontade a secas,
a memória vazia e os afetos da alma na máxima aflição, amargura e aperto, privando-a dos sentidos e do gosto que antes recebia dos bens espirituais.
Esta privação constitui um dos princípios
que se requer no espírito para que se introduza e se una nele a forma espiritual do espírito,
que é a união de amor.»
Por São João da Cruz