B. João Soreth, presbítero

Beato João Soreth, Presbítero, Geral da Ordem Carmelita,
fundador da Ordem das Monjas Carmelitas, da Ordem Terceira do Carmo e das
Confrarias do Santo Escapulário.
Desde o início do século XIII até meados do século XV
(isto é, por cerca de 250 anos) a Ordem do Carmo compunha-se apenas dos frades.
Era uma Ordem estritamente masculina e os leigos não "bebiam" da
fonte espiritual da mesma.
No século XV, com o advento do Beato John (João) Soreth, que foi o Padre
Geral da Ordem, o Espírito Santo de Deus inspirou-o a que abrisse às mulheres a
oportunidade de pertencerem à Ordem, bem como aos leigos e leigas, com a
fundação da Ordem das Carmelitas (monjas) e da Ordem Terceira do Carmo, bem
como das Confrarias do Escapulário do Carmo.
Portanto, nós, da Ordem dos Carmelitas Descalços
Seculares, apesar de não termos sido fundados diretamente por ele, o fomos
indiretamente, visto que graças a esse Beato é que foi possível aos leigos e
leigas estarem plenamente inseridos na família do Carmelo, bebendo da mesma
"fonte de Elias", sob o manto protetor da "Virgem do
Lugar", Nossa Senhora do Monte Carmelo.
Abaixo trazemos o texto da bula papal "Cum Nulla"
que funda o Ramo Feminino e a Ordem Terceira.
“Nicolau, Bispo, Servo de Deus, em perpétua
memória. Visto que nenhum grupo de fiéis, sob qualquer forma de religião,
pode organizar-se, sem autorização do Sumo Pontífice, e para que os grupos de
religiosas, virgens, viúvas, beguinas, manteladas ou outras formas particulares
que vivem sob o título e proteção da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do
Monte Carmelo, ou que no futuro assim queiram viver, não pareçam bem sem a
aprovação da autoridade apostólica.
Nós, pelas presentes letras, decretamos que para a
recepção, modo de viver, admissão e proteção das supracitadas, a Ordem, o
Mestre Geral da mesma e os Priores Provinciais gozem e usem dos mesmos e
idênticos privilégios concedidos à Ordem dos Pregadores e à Ordem dos Eremitas
de Santo Agostinho, de modo que as sobreditas virgens, viúvas, beatas e
manteladas, vivam em continência e honestamente, guardem o jejum e façam todas
as demais coisas, como soem fazer, de acordo com seu regulamento e
estatutos.
Que ninguém, por isto, ouse infringir ou contradizer esta
nossa constituição. Se, contudo, alguém cogitasse contrariá-la, saiba que
incorreria na ira de Deus onipotente e de seus santos apóstolos Pedro e Paulo.
Dado em Roma, em São Pedro no ano de 1452 da Encarnação
de Nosso Senhor, no dia 07 de outubro, sexto ano de nosso Pontificado”.
O texto original da Bula “Cum Nuila” se encontra no Arquivo
Público de Florença sob o número 400, lis. 14v-146r, Reg. Vaticano. Está
endereçada: "Ao Revmo Geral da Ordem de Santa Maria dos Carmelitas, Roma”.
João Soreth, nasceu em Caen, na Normandia, França, em 1394;
ingressou no Convento Carmelita de Caen, estudou Teologia na Universidade de
Paris e recebeu o Ministério Sacerdotal em 1417. Em 1440 foi eleito Superior
Provincial da França e, em 1451 foi eleito Superior Geral da Ordem do Carmo.
Religioso muito culto e dotado de muitas virtudes, como
Reformador do Carmelo reconduziu a Ordem do Carmo a seu antigo esplendor
conquistando seus religiosos a uma observância mais rigorosa da Regra de Santo
Alberto, Patriarca de Jerusalém.
O Papa Nicolau V (1447-1455), concedeu à Ordem do Carmo a
Bula intitulada “Cum Nulla Fidelium” que permitiu ao Beato
João Soreth fundar a Ordem Carmelita das Monjas de Clausura, a
Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo e as Confrarias do
Escapulário do Carmo. A data da outorga dessa Bula “Cum Nulla” foi no dia
07 de outubro de 1452.
O Beato João Soreth incorporou as Monjas de Clausura na
Regra de Santo Alberto. Para a Ordem Terceira do Carmo Soreth elaborou, em
1455, uma Regra própria, baseada em elementos da Regra de Santo Alberto,
adaptados ao movimento laical dos Terceiros Carmelitas. Essa primeira Regra dos
Terceiros continha apenas 15 artigos. Essa Regra dos Terceiros, através dos
séculos, passou por muitas reformas entre as quais se destacou a Regra de 1948
que vigorou até 1977.
João Soreth faleceu a 25 de julho de 1471; com fama de
santidade, governou a Ordem do Carmo durante 20 anos e foi beatificado pelo
Papa hoje Beato, Pio IX em 1866. A sua iconografia o representa segurando na
mão direita uma âmbula de hóstias consagradas, alusão a um fato histórico de
sua vida: as tropas de Carlos, o temerário duque de Borgonha e conde de
Flandres, invadiram uma igreja em Liege - Bélgica, o povo enraivecido, profanou
o sacrário, as hóstias consagradas foram espalhadas pelo piso da igreja em
chamas, e o Beato João Soreth, com o risco da própria vida, juntou as hóstias,
colocou-as na âmbula e levou-a à sua igreja conventual. E representado ainda
calcando com o pé direito algumas setas, alusão ao suposto martírio; pela
tradição, ele teria morrido em consequência de um envenenamento.
Na mão esquerda Soreth segura um bastão símbolo de seu cargo
de Superior Geral e na mesma mão, ele segura um cartaz, referência à Bula “Cum
Nulla” e ao lado do pé esquerdo, no chão, há um chapéu cardinalício e sua mitra
episcopal, alusão ao fato: o Papa Calixto III ter-lhe-ia oferecido uma rica
diocese, que ele, muito humildemente, rejeitou.