O verbo é esperar: uma crônica Pascal sobre Vocação
Há um tipo de silêncio que não é vazio.
É cheio de Deus.
Na manhã da
Ressurreição, o mundo ainda não entendia o que havia acontecido. O túmulo
estava vazio, mas o coração dos discípulos ainda estava cheio de perguntas. A
luz já tinha vencido as trevas — mas os olhos humanos ainda precisavam aprender
a enxergar.
E é exatamente aí
que mora o mistério da vocação.
“Esperar é um
verbo profundo”.
Não é poesia
apenas. É teologia encarnada.
Moisés esperou no
deserto, não porque Deus o esqueceu, mas porque ainda não estava pronto para
libertar ninguém. Jesus esperou em Nazaré, não porque sua missão não existia,
mas porque a hora ainda não tinha amadurecido. Paulo esperou no anonimato, não
porque perdeu o chamado, mas porque precisava ser purificado dele.
E você?
Talvez também
esteja esperando.
Mas e se Ele já
estiver falando… no próprio silêncio?
Depois que Cristo
ressuscitou, Ele não apareceu a todos ao mesmo tempo, nem explicou tudo de uma
vez. Ele foi se revelando aos poucos — a Maria, aos discípulos de Emaús, aos
apóstolos reunidos. Cada encontro tinha seu momento. Cada coração, seu ritmo.
Assim também é a
vocação.
“Esperar é um
jeito de orar.”
E mais ainda:
“Esperar é um
jeito de amar.”
É dizer: “Senhor,
eu não entendo, mas não vou embora.”
Ele ressuscita —
mas primeiro deixa o sábado acontecer.
Mas é justamente
ali que a vocação amadurece.
Se você sente um
chamado — à vida religiosa, ao matrimônio, ao sacerdócio, à entrega — não
corra. Mas também não fuja.
Permaneça.
Agora… é tempo de
esperar.
Porque no fim,
sempre acontece.
“Mas aconteceu…
mas aconteceu.”
E quando acontece,
você entende:
não era espera.
era amor sendo
formado.