Cardeal Zen pede intervenção do Papa no caso da Fraternidade São Pio X
Bispo emérito de Hong Kong afirma que um cisma deve ser evitado e critica tentativas de eliminar a Missa Tradicional
O cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong, publicou uma reflexão sobre a situação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), abordando o delicado relacionamento entre a fraternidade fundada por Marcel Lefebvre e a Santa Sé. A reflexão foi motivada pelas leituras da missa da sexta-feira da segunda semana da Quaresma.
Segundo Zen, o caso da FSSPX continua gerando divisões até mesmo entre católicos tradicionalistas. Para o cardeal, dois aspectos precisam ser considerados com seriedade. De um lado, a Igreja deve evitar a todo custo um novo cisma, que poderia causar danos profundos e duradouros à sua unidade. De outro, existe também uma questão de consciência levantada por muitos fiéis, que se perguntam como podem ser obrigados a aceitar ensinamentos que, em sua percepção, contradizem a Tradição da Igreja.
Ao tratar do atual diálogo entre a Fraternidade e o Dicastério para a Doutrina da Fé, Zen questiona se há esperança de progresso nas conversas conduzidas sob a responsabilidade do prefeito do dicastério, o cardeal Víctor Manuel Fernández.
Em sua reflexão, o cardeal utiliza uma analogia bíblica inspirada na história de José, vendido por seus irmãos no livro do Gênesis. Na comparação proposta por Zen, a FSSPX seria representada por José, enquanto seus opositores seriam comparados aos irmãos que o rejeitam. A imagem expressa, segundo ele, o clima de hostilidade que frequentemente envolve a questão.
Apesar disso, Zen manifesta esperança na possibilidade de uma mediação que preserve a unidade da Igreja. Ele recorda que a unidade da família de Deus é um bem fundamental e que a autoridade do Papa tem um papel essencial para evitar rupturas.
O cardeal também aborda a questão litúrgica, afirmando que seria um erro tentar eliminar a Missa tradicional. Para ele, a reforma litúrgica que seguiu o Concílio Vaticano II não correspondeu plenamente às intenções dos padres conciliares.
Nesse contexto, Zen recorda a posição do papa Bento XVI, que defendia a possibilidade de um enriquecimento mútuo entre as duas formas do rito romano. O pontífice alemão chegou a falar de uma possível “reforma da reforma”, indicando que a tradição litúrgica da Igreja poderia ajudar a purificar e aprofundar a renovação iniciada após o Concílio.
Concluindo sua reflexão, o cardeal afirma confiar na capacidade do Papa de ouvir e discernir, e insiste que a interpretação correta do Concílio Vaticano II deve partir dos próprios documentos conciliares, evitando leituras baseadas apenas no chamado “espírito do Concílio”.
Com informações do blog do Cardeal Zen