Bispos italianos pedem condenação do culto à Pachamama e reacendem debate sobre sincretismo no Vaticano

Nos últimos dias, bispos italianos e alguns cardeais voltaram a manifestar preocupação com episódios ligados ao chamado culto à Pachamama, solicitando que o Papa Leão XIV se pronuncie de forma clara e pública sobre o tema.

A controvérsia remonta a outubro de 2019, quando, durante o pontificado do Papa Francisco, ocorreu uma cerimônia nos Jardins do Vaticano, no contexto do Sínodo para a Amazônia. Na ocasião, foram utilizadas imagens associadas à Pachamama — figura tradicional de povos andinos, frequentemente entendida como símbolo da “Mãe Terra”.

O evento gerou forte repercussão dentro da Igreja, especialmente entre setores mais conservadores, que interpretaram os gestos realizados como um ato impróprio no âmbito da fé católica. Entre as vozes críticas, destacaram-se o cardeal Raymond Burke e o bispo Athanasius Schneider, que expressaram publicamente sua preocupação com o que consideraram um risco de confusão doutrinal.

O cardeal Burke chegou a afirmar que “algo muito grave aconteceu”, defendendo a necessidade de reparação espiritual. Já Dom Schneider condenou a veneração do que classificou como um símbolo pagão, comparando o episódio ao “Bezerro de Ouro” mencionado nas Escrituras.

Desde então, o tema permanece sensível. Alguns veículos e comentaristas voltaram a associar práticas culturais indígenas a interpretações religiosas controversas, reacendendo o debate sobre os limites entre inculturação e sincretismo.

Por outro lado, defensores da iniciativa de 2019 argumentam que o gesto não teve caráter idolátrico, mas simbólico e cultural, inserido no esforço missionário da Igreja de dialogar com os povos amazônicos e suas tradições.

Diante desse cenário, os pedidos atuais dirigem-se ao Papa Leão XIV, solicitando uma posição mais explícita que esclareça a doutrina católica e evite interpretações divergentes entre os fiéis.

O episódio evidencia uma tensão recorrente na história da Igreja: como anunciar o Evangelho em diferentes culturas sem comprometer a integridade da fé. A questão permanece aberta e continua a suscitar reflexões teológicas, pastorais e missionárias no interior do catolicismo contemporâneo.

Com informações de LifeSiteNews.com