Carmelita Mártir: Frei Tito, um homem ecumênico III



"Mas o humor ecumênico do beato Tito não se manifestou apenas nessa situação. Já em seus anos de plena atividade aparece o desejo de não ferir o "irmão protestante", algo que nesses países de coexistência católico-protestante (seja qual for a confissão) é muito delicado. Assim, ao organizar em 1932 um Congresso Mariano, para celebrar o XV centenário do Concílio de Éfeso, ele imediatamente escreve esclarecendo a intenção do mesmo, tentando evitar todo sentido de exibicionismo católico. Alguns interpretaram nesta linha o interesse do Beato Tito em estudar e difundir a devoção a São Bonifácio, o evangelizador de sua terra natal, a Frísia. Seria como procurar as raízes de uma fé comum, procurando o que une mais do que o que separa. Também sabemos que em várias de suas defesas do catolicismo holandês contra o poder nazista, ele não se esquece de citar expressamente os irmãos protestantes. Tudo isso adquire um valor especial se levarmos em conta que estamos alguns anos depois do Concílio e que a sensibilidade ecumênica na esfera católica ainda não estava muito desenvolvida.

Poder-se-ia mesmo falar de um certo "humor ecumênico" (embora, evidentemente, em outro sentido) em relação à sua posição em relação ao Carmelo Descalço. É claro - e talvez nisso os grandes personagens das mediocridades diferem - que o Abençoado Tito nunca se deixou levar por disputas sem muito sentido, nem por absurdas animosidades. Além disso, como um verdadeiro erudito e intelectual, ele analisa as questões, mesmo as espinhosas, com um horizonte amplo, totalmente ecumênico e aberto, sem os espantos mentais que algumas vezes se sofrem a esse respeito. Nem mesmo uma centelha de humor está faltando, não para ironizar, mas para "remover o ferro" para certos assuntos. Neste sentido, para uma pergunta de Godfried Bomans (um conhecido escritor holandês) sobre se ele era calçado ou descalço, o padre Tito respondeu brincando que tentava combinar as duas possibilidades, por calçado diurno e a noite descalço. A questão do escritor veio do entusiasmo com que o professor Brandsma falava e explicava sobre Santa Teresa (de Jesus) e sobre São João da Cruz.

Esta foi uma constante de sua vida e sua atividade como escritor e professor. Não foi em vão que seu primeiro livro foi um opúsculo sobre Santa Teresa e seu último trabalho, escrito na prisão, em condições surpreendentes também apresentadas sobre a Santa de Ávila. Ele mesmo reconheceu em várias ocasiões que talvez essa tenha sido uma das grandes frustrações de sua vida, não tendo conseguido completar um grande trabalho sobre a vida e concluir as obras de Santa Teresa traduzidas para o holandês. As múltiplas ocupações, assim como o precipício final de sua vida, o impediram."

Oração pela Canonização

Deus da paz e da justiça,
Vós que abre nossos corações para o amor
e para a alegria do Evangelho
mesmo em meio às inúmeras formas de violência
que pisoteiam a dignidade de nossos irmãos e irmãs,
ajuda-nos com a tua graça,
para que, como São Tito Brandsma,
podemos com compaixão, ver além dos horrores da injustiça,
e contemple sua glória que brilha através dos mártires
de todos os tempos e, assim, ser vossas autênticas testemunhas no mundo de hoje.
Amém.

Continua no próximo artigo, nos acompanhe nessa jornada preparando-nos para a Canonização do Beato Tito Brandsma 

Texto: Frei Fernando Millán Romeral, OCarm. Tradução: Ir. José Michael Alves, OTCarm