Deus Respeita Nossa Liberdade

“A verdadeira humildade não inquieta nem desassossega nem
alvoroça a alma, por grande que seja; mas vem com paz, gozo e sossego… dilata-a
e torna-a apta para melhor servir a Deus”. Ao contrário, a humildade
do demônio “tudo perturba, tudo alvoroça, toda a alma revolve e é muito
penosa. A falta de confiança e a perturbação diminuem a capacidade de
amar, e o fim do demônio é deter as almas no caminho do amor. Deste
modo tenta especialmente as almas que não cederiam nunca a tentações abertas de
pecado. Neste caso é preciso reagir, recordando que, segundo ensina Santa
Teresa do Menino Jesus, “o que mais ofende a Jesus, o que Lhe fere o coração, é
a falta de confiança.” (Carta 71).
A desconfiança da misericórdia de Deus, mesmo depois de
quedas graves, nunca é indício de verdadeira humildade, mas sim de orgulho
dissimulado e de tentação diabólica. Se Judas tivesse sido humilde, em vez de
desesperar, teria sabido como Pedro pedir perdão e chorar os seus pecados.
A humildade é a virtude que nos faz permanecer no nosso lugar; ora, o nosso lugar diante de Deus é o de filhos fracos e miseráveis, mas confiantes.
Quando, depois de tantos propósitos, te vês cair nas mesmas
faltas; quando, depois de tantos esforços, não consegues ainda vencer certos
defeitos, superar certas dificuldades e, de um ou outro modo, te encontras
ainda muito longe daquilo que deverias e queremos ser, recorre ao remédio
infalível da humildade. “A humildade — diz Santa Teresa de
Jesus — é o unguento das nossas feridas” (Mt 2, 6). Embora te
sintas esgotado de forças, embora te julgues incapaz de tudo e te vejas sempre
por terra, impotente para te levantares, ainda te resta uma possibilidade: a de
te humilhares. Humilha-te, humilha-te com sinceridade e com confiança;
a humildade suprirá todas as tuas misérias, curará todas as tuas chagas, porque
atrairá sobre elas a misericórdia divina.
Fonte: Livro “Intimidade Divina”
– Frei Gabriel de Santa Maria Madalena
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Reflexões