Duas mulheres, duas colunas, uma só Igreja


Há datas que passam pelo calendário sem fazer barulho. Outras, porém, parecem guardar dentro de si um eco da eternidade. O dia 27 de setembro e o dia 4 de outubro pertencem a esta segunda categoria.

Em 1970, o Papa Paulo VI inscreveu duas mulheres entre os Doutores da Igreja Universal: Santa Teresa de Jesus, proclamada Doutora em 27 de setembro, e Santa Catarina de Sena, proclamada em 4 de outubro. Duas mulheres separadas pelo tempo, pela geografia e pelas circunstâncias de suas vidas, mas profundamente unidas por uma mesma paixão: Deus e a Sua Igreja.

E talvez seja justamente isso que mais impressiona.

Teresa de Jesus nasceu na Espanha do século XVI. Catarina de Sena, na Itália do século XIV. Uma viveu entre os muros do Carmelo; a outra percorreu cidades e caminhos, falando com reis, bispos e pontífices. Teresa escreveu sobre os castelos da alma e sobre os caminhos da oração; Catarina escreveu cartas ardentes, exortando homens poderosos a retornarem à verdade, à justiça e à fidelidade à Igreja.

Duas mulheres.

Mas que mulheres!

A Igreja não as reconheceu como Doutoras simplesmente porque escreveram muito ou porque possuíam grande inteligência. O título de Doutor da Igreja está ligado à eminência de sua doutrina e à contribuição de seu ensinamento para a vida cristã. Em Teresa e Catarina, a Igreja reconheceu uma sabedoria que não nasceu apenas dos livros, mas daquilo que sempre foi a fonte da verdadeira teologia: uma vida profundamente mergulhada em Deus.

Teresa compreendeu algo que o homem moderno parece esquecer com facilidade: a alma humana não foi feita para viver na superfície.

Há dentro de nós um castelo — para usar a belíssima imagem teresiana — e nesse castelo habita Deus. O problema é que frequentemente passamos a vida inteira ocupados com as salas exteriores, com o ruído do mundo, com as preocupações, as vaidades e as distrações, sem jamais chegar ao centro.

E no centro está o Rei.

Santa Teresa nos ensina a voltar para dentro. Não para encontrar a nós mesmos como se fôssemos nosso próprio deus, mas para encontrar Aquele que nos criou e que nos espera no mais íntimo da alma.

Catarina, por sua vez, parece nos pegar pela mão e dizer: agora que encontraste Deus, não podes permanecer indiferente diante do mundo.

Sua vida foi uma chama.

Ela amou a Igreja justamente quando a Igreja atravessava tempos difíceis. Não fugiu dela. Não criou uma igreja particular segundo suas próprias ideias. Não se colocou acima da Igreja. Pelo contrário: sofreu por ela, rezou por ela, escreveu por ela e trabalhou pela sua unidade.

Aqui existe uma lição que continua extraordinariamente atual.

Amar a Igreja não significa amá-la somente quando tudo está tranquilo.

É fácil permanecer ao lado de uma mãe quando tudo vai bem. O verdadeiro amor aparece quando ela está ferida.

Santa Catarina amou a Igreja em seus dias difíceis. Santa Teresa trabalhou pela renovação da vida religiosa em uma época que também exigia coragem, penitência e reforma. Ambas compreenderam que a verdadeira renovação nunca começa pela destruição daquilo que recebemos, mas pelo retorno àquilo que é essencial.

O remédio para a crise da Igreja nunca será abandonar Cristo, a Tradição e a vida de santidade.

As duas Doutoras apontam para o mesmo lugar: Cristo.

Teresa aponta para Cristo no silêncio da oração.

Catarina aponta para Cristo no amor à Igreja, na caridade e na verdade.

Teresa nos ensina a entrar no castelo.

Catarina nos ensina a sair dele em missão.

Teresa nos conduz ao interior.

Catarina nos envia ao combate.

E talvez a Igreja precise desesperadamente das duas coisas.

Precisamos novamente aprender a rezar. Precisamos reaprender o silêncio, a contemplação, o recolhimento, a penitência, a vida interior. Precisamos compreender que uma Igreja sem santos pode possuir estruturas, discursos, programas e projetos, mas lhe faltará aquilo que verdadeiramente transforma o mundo: a graça de Deus operando em almas que se entregaram inteiramente a Ele.

Mas também precisamos de coragem.

Coragem para amar a verdade.

Coragem para defender a fé.

Coragem para permanecer firmes quando seria muito mais cômodo simplesmente acompanhar a correnteza.

Catarina não foi uma mulher de meias palavras. Teresa tampouco.

Elas conheceram a delicadeza dos santos, mas não confundiram delicadeza com covardia. Conheceram a humildade, mas não confundiram humildade com silêncio diante do erro. Conheceram a obediência, mas não confundiram obediência com ausência de personalidade.

E é justamente por isso que continuam falando conosco.

Em uma época que frequentemente confunde barulho com autoridade e opinião com verdade, as duas Doutoras recordam à Igreja que a verdadeira autoridade nasce da santidade e da verdade.

Hoje, olhando para Teresa de Jesus e Catarina de Sena, podemos fazer uma pergunta muito simples:

Que espécie de cristãos estamos formando?

Cristãos que conhecem muitas opiniões ou cristãos que conhecem a Deus?

Cristãos que discutem muito ou cristãos que rezam muito?

Cristãos preocupados em vencer debates ou cristãos preocupados em salvar almas?

Talvez esta seja uma das grandes provocações que essas duas santas nos deixam.

Elas não foram grandes porque falaram sobre Deus.

Foram grandes porque pertenceram a Deus.

Eis a diferença.

A Igreja precisa novamente de homens e mulheres que pertençam inteiramente a Deus. Precisa de famílias que rezem. Precisa de sacerdotes santos. Precisa de religiosos fiéis. Precisa de leigos conscientes de sua vocação. Precisa de almas contemplativas escondidas aos olhos do mundo, mas conhecidas no Céu.

Teresa e Catarina nos mostram que uma única alma inflamada pelo amor de Deus pode fazer muito mais pela Igreja do que imaginamos.

Por isso, neste tempo tão necessitado de paz e unidade, voltemos nosso olhar para essas duas grandes Doutoras.

Que Santa Teresa de Jesus nos ensine a entrar no silêncio do coração e a buscar o Senhor com toda a alma.

Que Santa Catarina de Sena nos ensine a amar a Igreja com fidelidade, coragem e caridade.

Que ambas intercedam pela Igreja, pelo Santo Padre, pelos sacerdotes, pelas famílias e por todos aqueles que procuram sinceramente a verdade.

E que, pela intercessão dessas duas colunas da Igreja, possamos compreender novamente que não existe verdadeira renovação sem santidade, não existe verdadeira unidade sem caridade e não existe verdadeira paz sem Nosso Senhor Jesus Cristo.

Porque, no fim de todas as coisas, Teresa e Catarina não nos conduzem a si mesmas.

Conduzem-nos a Ele.

E é para Ele que deve caminhar toda a Igreja.

Por seu irmão,
Carmelita Secular da Antiga Observância, B.