A Mestra da vida interior

Todo dia 16 de cada mês nós honramos especialmente à Nossa
Mãe Santíssima do Monte Carmelo.
A devoção à Virgem do Carmo é também um premente apelo à
vida interior, a essa vida que foi de modo especialíssimo a vida de Maria. A
Virgem quer que sejamos mais semelhantes a Ela no coração e no espírito.
Se penetrássemos na alma de Maria, veríamos que a graça
produziu n’Ela uma imensa riqueza de vida interior: vida de recolhimento, de
oração, de ininterrupta doação a Deus, de contato contínuo, de união íntima com
Ele. A alma de Maria é um santuário reservado só para Deus, onde nenhuma
criatura humana jamais imprimiu a sua forma, onde reina o amor e o zelo pela
glória de Deus e pela salvação dos homens.
Os que desejam viver plenamente a devoção a Nossa Senhora do
Carmo devem seguir Maria nas profundezas da sua vida interior. O Carmelo é o
símbolo da vida contemplativa, vida toda dedicada à busca de Deus, toda
dirigida para a intimidade divina; e quem melhor realizou este ideal altíssimo
foi a Virgem, Regina decor Carmeli. “No deserto habitará a equidade, e a
justiça terá o seu assento no Carmelo. A paz será a obra da justiça e o fruto
da justiça é o silêncio e a segurança para sempre. O meu povo repousará na
mansão da paz, nos tabernáculos da confiança”.
Estes versículos de Isaías (cf. 32, 16-18) reproduzidos no
Ofício próprio de Nossa Senhora do Monte Carmelo esboçam muito bem o espírito
contemplativo e são, ao mesmo tempo, um belo retrato da alma de Maria,
verdadeiro “jardim” (Carmelo em hebreu significa jardim) de virtudes, oásis de
silêncio e de paz, onde reina a justiça e a equidade, oásis de segurança, todo
envolto na sombra de Deus, todo cheio de Deus.
Toda a alma de vida interior, embora vivendo no meio do
ruído do mundo, há-de esforçar-se por alcançar esta paz, este silêncio interior
que tornam possível o contato contínuo com Deus. São as paixões e os apegos que
fazem barulho dentro de nós, perturbando a paz do nosso espírito e
interrompendo o trato íntimo com o Senhor. Só a alma completamente desprendida
e que domina inteiramente as suas paixões, poderá, como Maria, ser um “jardim”
solitário e silencioso, onde o Senhor encontre as Suas delícias. É esta a graça
que hoje devemos pedir à Senhora, escolhendo-a para padroeira e mestra da nossa
vida interior.
Por Venerável Ordem Terceira do Carmo – Saquarema,
RJ