Cardinal Burke desmonta narrativa de “choque” entre Vaticano e Trump

Crédito da foto: Joaquín Peiró Pérez/CNA.

ROMA, 11 de abril de 2026 — O cardeal americano Raymond Leo Burke declarou que são exageradas as interpretações que apontam para um suposto agravamento das tensões entre o Vaticano e o governo do presidente Donald Trump.

Em entrevista concedida ao jornal italiano Il Giornale, o purpurado afirmou que a chamada narrativa de um confronto contínuo entre Roma e Washington “não corresponde à realidade”.

Declarações sobre o Papa e a política internacional

Segundo Burke, o pontificado de Pope Leo XIV deve ser compreendido à luz da missão própria da Igreja, que consiste em promover a paz e oferecer orientação moral, sem alinhamento a projetos políticos específicos.

O cardeal rejeitou a caracterização do Papa como opositor político do governo norte-americano, observando que tais interpretações refletem mais leituras ideológicas do que dados concretos.

Distinção entre Igreja e Estado

Durante a entrevista, Burke reiterou a doutrina tradicional acerca da distinção entre as esferas religiosa e civil. Segundo ele, a Igreja tem por missão ensinar princípios morais, enquanto a responsabilidade pela condução política cabe às autoridades legítimas.

Nesse sentido, recordou o ensinamento evangélico sobre a justa relação entre fé e ordem temporal, sublinhando que não compete à Igreja governar Estados.

Contexto internacional e apelo à paz

As declarações foram feitas em meio ao aumento das tensões internacionais envolvendo o Irã. Burke reconheceu a gravidade da situação e destacou a necessidade de atenção à situação do povo iraniano, especialmente diante de anos de repressão.

O cardeal também enfatizou a importância da oração pela paz, em sintonia com o chamado recente do Papa durante a atual crise.

Relações entre Estados Unidos e Santa Sé

Apesar das análises que sugerem um distanciamento entre Washington e o Vaticano, Burke afirmou que permanecem abertos os canais de diálogo e cooperação.

Segundo ele, não há evidências de ruptura institucional, mas sim um contexto em que diferentes abordagens políticas coexistem com o respeito mútuo.

Conclusão

As declarações do cardeal Burke indicam que, ao menos do ponto de vista eclesial, a percepção de um conflito entre a Santa Sé e o governo dos Estados Unidos carece de fundamento sólido.

Ao reafirmar a missão própria da Igreja e a distinção entre autoridade espiritual e poder político, o purpurado propõe uma leitura mais equilibrada do atual cenário internacional.

Por Diane Montagna, Jornalista americana em Roma, credenciada junto à Santa Sé.